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sábado, 20 de agosto de 2011

Mídia, ciência e tecnologia sob uma visão antropológica

Seminário Ciências da Vida: Antropologia da Ciência em Perspectiva, realizado no Ilea, da UFRGS | Ramiro Furquim/Sul21


Cláudia Rodrigues
Especial para o Sul21

Durante as décadas de 1960 e 1970, os antropólogos estiveram muito ativos politicamente. A partir dos anos 1980, salvo exceções, desapareceram do cenário. Ingenuidade nossa julgar que estivessem muito ocupados com as comunidades quilombolas, ribeirinhas, com os índios, com nativos de países orientais ou vivendo para sempre em alguma ilha exótica perdida no Pacífico. Foi a partir da década de 1980 que esses cientistas sociais começaram a voltar seu olhar e suas práticas de pesquisa para os seus iguais na sociedade ocidental urbana. Eles estavam bem aqui, perto de nós, construindo e desconstruindo as crenças ocidentais urbanas, os nossos comportamentos diante da ciência e da tecnologia. Nos últimos anos, parte importante dos antropólogos esteve avaliando os comportamentos das pessoas em tribunais, delegacias de polícia, bancos de dados genéticos, hospitais; enfim, nosso mundo mais próximo. O processo, que começou na Europa, encontrou pares em vários países do ocidente e deu origem a uma nova disciplina: a Antropologia da Ciência. Em um seminário de dois dias e meio na UFRGS – Ciências da Vida: Antropologia da Ciência em Perspectiva – , professores pesquisadores do Brasil, Portugal, França, Inglaterra e Estados Unidos, dividiram suas teses com um público bastante interessado nesse novo caminho. O professor Guilherme Sá, atualmente na UnB, conta que um grupo de discussão virtual criado por ele e cinco estudantes da pós-graduação em 2005, o REACT, Rede de Antropologia da Ciência e Tecnologia, hoje está com mais de 100 pessoas. Um primeiro congresso no Rio de Janeiro, em 2007, reuniu 30 pessoas; em 2009, um segundo, em Minas Gerais, teve a participação de 120 pessoas. O nome da disciplina, Antropologia da Ciência, não é uma unanimidade, há questões sobre se uma nova espécie de “facção” na área seria adequada, mas diante do diferencial que traz de volta uma possibilidade de comunicação maior com a sociedade, parece não deixar dúvidas de que, afinal, não se pode conter os movimentos sociais espontâneos que acabam sendo determinantes, dentro ou fora da antropologia. Segundo o professor Sérgio Carrara, da UERJ, que entrou espontaneamente na área ao pesquisar relações entre discursos médicos sobre o HIV, saberes jurídicos e psiquiatria forense, ainda na década de 1980, “a importância da Antropologia da Ciência é a busca por intervenções eficazes, não só de hipóteses”.

“Eu estava lá pesquisando as relações dentro do tribunal sobre as questões da paternidade, quando no meio da pesquisa surgiu o teste de DNA e aquilo mudou tudo, foi uma reviravolta" | Ramiro Furquim/Sul21

A professora Cláudia Fonseca, da UFRGS, uma das organizadoras do evento, narra sua entrada, também espontânea, também na década de 1980. “Eu estava lá pesquisando as relações dentro do tribunal sobre as questões da paternidade, quando no meio da pesquisa surgiu o teste de DNA e aquilo mudou tudo, foi uma reviravolta. O teste de DNA estava acima de tudo e de todos, não havia mais a discussão anterior, era uma nova discussão que surgia, novas relações, novos comportamentos diante do mesmo problema”.

A cerebralização da saúde

"Existe uma retórica de que somos o que podemos ser" |Ramiro Furquim/Sul21

Rogério Azize, professor da UFRJ, trouxe o tema de sua tese de doutorado: A Nova Ordem Cerebral — a concepção de ‘pessoa’ na difusão neurocientífica. Segundo ele, existe um certo ufanismo neurocientífico na mídia. “A descoberta das sinapses e de suas funções lembra a descoberta do átomo”. O vocabulário, já popularizado, de palavras como neurônio e serotonina entra facilmente numa espécie de mundo esotérico da neurociência em que o cérebro muda o discurso de quem somos. “Existe uma retórica de que somos o que podemos ser e de que os conhecimentos da neurociência podem ser usados por nós mesmos em nosso próprio benefício quando o cérebro passa a ser um órgão superior ao corpo, um órgão que podemos higienizar na busca da felicidade pessoal”. O cérebro como caixa-preta do nosso corpo teria todas as respostas para nossos comportamentos e aí entra a mídia e suas divulgações “científicas” que, na tradução para o público, banaliza saberes que se transformam em intervenções a serviço do mercado.

Homem com T, de testosterona

"Somente na virada do ano 2000 houve uma explosão de artigos da urologia e da andrologia” | Ramiro Furquim/Sul21

A professora Fabíola Rohden, da UFRGS — coordenadora do projeto Diferenças de Gênero na Recente Medicalização do Envelhecimento e Sexualidade: a Criação das Categorias Menopausa, Andropausa e Disfunção Sexual –, debruçou-se sobre a interferência da mídia em clara conivência com a indústria farmacêutica. “O climatério masculino aparece como doença na década de 1930, mas na década de 1940 a reconstrução da sexualidade não era bem-vinda, somente na virada do ano 2000 houve uma explosão de artigos da urologia e da andrologia” A impotência desaparece da semântica e surge um novo nome para a “doença”, mais palatável para a indústria: “disfunção sexual”, o qual se popularizou com o lançamento do viagra. Quebrada a patente, o viagra já não faz tanto sucesso e a onda agora é o Nebido, droga à base de testosterona. Em 2005, a revista Veja lançou um especial: Homem, Guia de Orientação para Saúde e Sexualidade; na mesma época, os congressos para médicos, ricamente patrocinados pela indústria farmacêutica, começavam a se reproduzir. Os materiais empíricos coletados pelas pesquisadoras foram folhetos em congressos de medicina. O X Congresso de Medicina Sexual, realizado em 2005 no Costão do Santinho, em Florianópolis, foi inundado por folhetos distribuídos pelos patrocinadores do evento: Bayer, Shering Pharma, Eli Lilly do Brasil Ltda, apresentados como Gold Sponsor e Bronze Sponsor. Na área dos expositores, oito ao total, dois apresentavam próteses penianas.

Pesquisas patrocinadas por laboratórios afirmam que 88% dos homens com deficiência de testosterona têm um risco maior de morrer e os questionários, veiculados em revistas, para que o homem descubra qual é seu grau de queda de testoterona e a partir daí procure seu urologista, apresentam questões como: “Você tem a sensação que já foi passado o ponto máximo de sua vida?”

A mulher limpinha

"A mídia agiu mais uma vez como o grande difusor do melhor método" | Ramiro Furquim/Sul21

Daniela Manica, atualmente na UFRJ, falou sobre sua tese de doutorado, defendida na UNICAMP: Contracepção, Natureza e Cultura: Embates e Sentidos na Etnografia de uma Trajetória.

Usando como fio condutor a vida profissional do médico Elsimar Coutinho, ela recuperou a trajetória brasileira na área da obstetrícia, que defende a interrupção da menstruação por uso ininterrupto de tratamento hormonal.

A mídia agiu mais uma vez como o grande difusor do método como o melhor, o ideal e inquestionável contraceptivo, não apenas ignorando a forma como os hormônios artificiais atuam no corpo humano e os estudos sobre efeitos colaterais, mas dando ênfase aos efeitos técnicos de uma maneira bastante linear. O foco é apenas no objetivo, na escolha de não correr riscos de engravidar, com a “vantagem” de não menstruar.

Trajetória de uma ciência que virou crença

“As mulheres sempre tiveram medo de ter bebês com problemas e o mercado aproveitou-se disso" | Ramiro Furquim/Sul21

A professora Ilana Löwy, do Centre de Recherche Medicine, de Paris, falou sobre o gerenciamento do corpo das mulheres grávidas, que começou com a patologização da mulher grávida e hoje se estende ao feto, com uma quantidade exarcebada de exames utilizados como políticas públicas de saúde em muitos países, sem que sejam realmente necessários ou úteis de alguma forma. Na Europa, após nascimentos de bebês com malformações devido ao uso do medicamento talidomida por grávidas, houve um despertar feminino para a possibilidade do aborto. Este, efetuado na maioria dos países ocidentais, trouxe um novo olhar médico e técnico que visava “garantir” às mulheres que seus bebês seriam saudáveis. Hoje, a busca pelo bebê saudável virou o bebê ideal. Dos anos 1960 aos anos 1990 foi um salto em busca da garantia do bebê ideal. As promessas da genética fizeram com que o fator de risco deixasse de ser preocupação. A amniocentese, que surgiu na década de 1980, inicialmente para identificação da Síndrome de Down, logo num segundo momento, em função do mercado, na França deixou de ser útil, já que estava atingindo um público de mulheres mais velhas e ricas, mas os bebês com a síndrome estavam nascendo de mulheres jovens porque elas engravidavam mais. “As mulheres sempre tiveram medo de ter bebês com problemas e o mercado aproveitou-se disso”, afirma Löwy. Hoje os testes genéticos na França, segundo Löwy, detectam apenas 2% de malformações”. A indústria não leva em conta os dados estatísticos para fazer os exames e as mulheres, pelo medo atávico de um bebê com problema, se submetem a testes invasivos com custos emocionais já mapeados, mas pouco divulgados.

Câncer de mama

E assim ocorre com o câncer de mama. Em nome de pesquisas ainda incipientes, que identificaram o gene BRCA 1 e 2 como causa genética para o câncer de mama, mulheres inglesas estão extirpando os seios como forma de prevenção, com anuência dos médicos. Mas o fato da pessoa ter o gene, não significa absolutamente que ela vai desenvolver o câncer. Este foi o tema da palestrante Sahra Gibbon, que atualmente pesquisa mulheres com o gene BRCA 1 e 2, em Porto Alegre. “Estamos ainda em estudo para examinar como e com que consequências os campos da medicina genômica são traduzidos”, afirma.

Bebês, a imagem sem imagem

“Inicialmente a idéia era mostrar a construção do feto como pessoa, mas o que apareceu foi o prazer de ver o feto.” | Ramiro Furquim/Sul21

A médica e psicanalista Lilian Chazan compartilhou impressões vividas durante uma pesquisa de mestrado sobre verdades médicas e não-médicas. “Inicialmente a idéia era mostrar a construção do feto como pessoa, mas o que apareceu foi o prazer de ver o feto.” Durante o período de observação, estabeleceu-se como critério avaliar os espaços, a rotina, o cotidiano e o tempo. Num hospital público, no setor de ultrassom, havia uma secretária que recebia os resultados dos exames. Estes eram “cantados” pelos médicos, já que a máquina de ultrassom não contava com tinta e papel na impressora. As imagens não eram gravadas ou arquivadas de alguma forma. Havia diariamente um entra e sai de médicos e residentes na sala onde as mulheres estavam recebendo seus dez minutos de monitoramento. Nesse ambiente, eles discutiam assuntos variados como listas de casamentos, regras para obtenção de passaportes, até discussão de casos clínicos. A importância da relação médico-paciente era afirmada pela maioria, mas na prática a gestante era secundária, não era chamada pelo nome e não a ouviam. A secretária se esforçava muito para atender as diversas demandas pacientemente. Um dia, diante de um erro de interpretação, assumiu-se como absoluta culpada e disse: “A culpa é minha, preciso arranjar um jeito de instalar um tipo de motorzinho para funcionar melhor.”

Adoção e inseminação, eis a questão

Martha Ramirez, professora da UEL, trouxe a tecnociência como produtora de respostas ao mundo contemporâneo. No mercado, o filho biológico está no mercado acima do filho adotivo. Ela conta que quando iniciou o estudo, o cadastro de adoção de São Paulo não estava funcionando e por isso procurou em comunidades do Orkut grupos de discussão sobre adoção. Encontrou mais de 1000 grupos sobre o assunto e nesses grupos discutia-se também a reprodução assistida. A maior parte das mulheres havia partido para adoção como segunda opção. O argumento comum é que os pais têm o direito à liberdade de ter um filho próprio no lugar de um filho de outros, o que faz com que o plano para adquirir o filho próprio seja semelhante ao de adquirir a casa própria. Na prática, faltam políticas públicas que coloquem as duas possibilidades como reais. O que está ocorrendo é uma espécie de ritual de passagem pela reprodução assistida antes da adoção ser procurada.

Pesquisas revisadas

Marko Monteiro, da Unicamp, descortinou variáveis que não foram levadas em consideração em pesquisas genéticas. “Pesquisas afirmam que não existem raças, mas crescem em número pesquisas com foco na raça”, diz Monteiro. A lógica atual para o câncer de próstata é que, se entendermos melhor o DNA, seria possível direcionar melhor a terapia. “Foi constatado que negros norteamericanos têm uma incidência maior de câncer de próstata em relação aos homens norteamericanos brancos, mas haveria de considerar que os negros norteamericanos têm uma vida muito distinta da dos brancos norteamericanos. Têm menor acesso a serviços de saúde, segurança, além de hábitos bem diferentes. As disparidades aumentam diante do questionamento de dados. “A ciência não é só científica, a ciência também é política, social e econômica,” diz Monteiro.

A caminho do crime perfeito

Em entrevistas nos presídios de Portugal, onde o programa de televisão CSI é um sucesso entre os prisioneiros, Helena Machado, da Universidade do Minho, em Portugal, colheu depoimentos como: “A gente tem que ficar esperto, agora não é mais só usar uma luva, qualquer gotinha de sangue ou fio de cabelo pode atrapalhar tudo”. A divulgação banalizada das práticas de cientistas forenses chega ao público sedutoramente misturando sexo, crime e romance. O geneticismo no mundo do crime tem uma falha grave: a implantação de provas na cena do crime, que pode ser intencional ou acidental podem levar a erros graves de julgamento.

Localizado o fio condutor dos protestos globais

A professora Ondina Fachel, da UFRGS, brindou a plateia com o primeiro capítulo de um livro recém-lançado sobre estudos a respeito do regime de propriedade intelectual.

O termo propriedade intelectual está diretamente ligado ao regime jurídico global. No período do pós-guerra, houve uma reorganização global que trouxe para nosso convívio uma necessidade de acumulação de capital, investimentos maciços em tecnologia e o surgimento das multinacionais. Nasceu uma nova gestão do sistema econômico, foram fundados o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Os desdobramentos não pararam mais: surgiu o GATT, sigla em inglês para o Acordo Geral de Tarifas e Comércio, e por consequência a hegemonia dos Estados Unidos no comércio internacional. Na década de 1980, para validar e ampliar essa força, houve a criação da Organização Mundial do Comércio e o acordo do TRIPS, um acordo multilateral que legitimou e intensificou as formatações de propriedade sobre recursos na área do conhecimento, que vai desde símbolos, procedimentos, passando modos de vida, ideias. O TRIPS parece invisível, mas age na contramão da natureza pública, cercando e privatizando a produção cultural, científica e tecnológica. A OMC tem poder de retaliação comercial em escala mundial e nos impõe uma realidade de mercantilização da vida sem levar em conta as características de desenvolvimento de cada país. Atua diretamente em tudo aquilo que chamamos cultura, incluindo a cultura tecnológica, como as questões relacionadas ao software livre e aberto, bem como patentes.

Com os avanços tecnológicos no campo médico e farmacêutico, houve a expansão da proteção patentária para a aquisição de remédios pelo TRIPS, o agente impedidor de acesso à medicação nos países em desenvolvimento.

O atual regime de propriedade intelectual global tem seu calcanhar de Aquiles. Ele também não é adequado aos países desenvolvidos. Lá como cá, os direitos das pessoas estão sendo massacrados. Morando em país rico ou pobre, as pessoas não querem mais comer o agrotóxico. Lá como cá, queremos saber o valor exato da tecnologia, sem os descontos extras de procedimentos e pesquisas encomendadas por laboratórios. Lá como cá, anseiam os seres humanos por finalmente desfrutar dos direitos humanos universais e inalienáveis, que nos prometeram somente no discurso.

Assim, se até ontem a questão era discutir a importância ou a desimportância de líderes ou heróis políticos para os movimentos sociais que saltam pelo mundo, hoje sabemos que temos um fio condutor e um objetivo que é de todos: derrotar a perversão do mercado.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

DISTÚRBIOS NO REINO UNIDO

ESPECIALISTAS TENTAM EXPLICAR

Muitas teorias foram discutidas nos últimos dias para tentar explicar as causas dos distúrbios na Inglaterra. De decadência moral a consumismo excessivo. No texto abaixo, criminologistas e especialistas dão opiniões a respeito de alguns dos argumentos.
Dependência do sistema de bem-estar:
Max Hastings, em um artigo para o jornal britânico Daily Mail, falou a respeito de um "espírito social pervertido, que eleva a liberdade pessoal ao absoluto, e nega à classe baixa a disciplina (...) que, sozinha, poderia capacitar alguns de seus membros para escapar do pântano de dependência em que vivem".
David Wilson, professor de criminologia da Birmingham City University, afirma que existe uma cultura de merecimento na Grã-Bretanha. "Mas não é apenas relativa à classe baixa - é relativa aos políticos, aos banqueiros, aos jogadores de futebol".
"Não é apenas com uma classe em particular, permeia todos os níveis da sociedade. Quando vemos políticos pedindo TVs de tela plana e sendo presos por fraudarem suas despesas, fica claro que os jovens de todas as classes não estão tendo uma liderança apropriada", afirmou.
Exclusão social:
Camila Batmanghelidjh, fundadora da organização de caridade Kids Company, escreveu em um artigo para o jornal The Independent que existe uma percepção de que a comunidade não fornece nada aos seus membros. "...Não se trata do ataque ocasional contra a dignidade, é a humilhação repetida, ser continuamente desprovido em uma sociedade rica em posses".
Estudos sugerem que viver em áreas socialmente desprivilegiadas pode ser um fator, de acordo com Marian FitzGerald, professora convidada de criminologia na Universidade de Kent. "Mas os excluídos sociais não são sempre os que causam os distúrbios, na verdade eles geralmente são os que estão mais vulneráveis aos tumultos. Precisamos de uma abordagem melhor ao invés de apenas usar a exclusão social como uma desculpa".
Falta de pais:
Segundo Cristina Odone, do jornal Daily Telegraph, a causa dos distúrbios pode ser encontrada na falta de um modelo masculino nas famílias. "Como a esmagadora maioria dos jovens criminosos presos, estes membros de gangues tem uma coisa em comum: não há um pai em suas casas".
"Criei dois meninos sozinha", afirma a professora Marian FitzGerald. "Sim, existem algumas questões a respeito de onde os meninos vão tirar um senso positivo de masculinidade quando não tem ninguém em casa para dar isto. Mas se você tem uma família estável, então eles meninos podem ser bem-sucedidos".
Cortes nos gastos:
O candidato do Partido Trabalhista à Prefeitura de Londres, Ken Livingstone, sugeriu em entrevista à BBC que as medidas de austeridade do governo foram responsáveis pelos distúrbios. "Se você está fazendo grandes cortes, sempre há o potencial para este tipo de revolta", disse.
Mas, para a professora FitzGerald, é muito cedo para afirmar isto. "A total implementação dos cortes para os serviços de autoridades locais, que terá o maior impacto nestas áreas, só será sentida no próximo ano". "No entanto, pode ser que devido à tanta informação sobre a polícia cortando gastos, os causadores dos tumultos podem ter assimilado a mensagem de que a probabilidade de serem pegos é menor".
Pouco policiamento:
Em um editorial, o tabloide The Sun afirmou que é "loucura" o fato de canhões de água não terem sido disponibilizado para os policiais e que o Parlamento "não deve ser sensível" a respeito do uso de gás lacrimogêneo e munição não letal.
Também foi discutido o impacto das críticas ao policiamento dos protestos durante a reunião do G20 em Londres, em 2009. Alguns comentaristas sugeriram que os policiais podem ter medo de enfrentar os saqueadores diretamente temendo processos.
O professor David Wilson afirma que pode ter feito alguma diferença se os saqueadores tivessem encontrado um policiamento mais forte. "Vários saqueadores que foram entrevistados claramente gostavam do sentimento de poder. Eles foram estimulados a sentir que as cidades pertenciam a eles", disse. "Mas, não acho que isto está relacionado ao politicamente correto. O que tem caracterizado a Justiça britânica nos últimos 25 ou 30 anos é o grande número de jovens que mandamos para as prisões em comparação com nossos vizinhos europeus".
Racismo:
A violência começou no bairro londrino de Tottenham, no sábado, depois da morte de Mark Duggan, um negro de 29 anos, baleado pela polícia. Christina Patterson, do jornal The Independent, afirmou que a questão racial não pode ser negligenciada.
"Muitos homens negros foram mortos pela polícia. Muitos homens e mulheres foram tratados como criminosos quando não eram. Esta não é a causa destes distúrbios, mas está lá, na mistura".
Mas a professora FitzGerald afirma que as mortes nas mãos da polícia são muito raras. "Segundo relatórios do IPCC (comissão que supervisiona o trabalho policial) nos últimos três anos ocorreram apenas sete e todos elas foram de pessoas brancas".
"A Polícia Metropolitana passou por grandes mudanças de atitute (...). Dito isto, o uso desproporcional dos poderes de parada e busca em cidadãos levou jovens negros em particular, que normalmente obedecem à lei, a potenciais confrontos com a polícia", acrescentou.
Gangsta rap e cultura:
Escrevendo para o Daily Mirror, Paul Routledge culpou a "cultura perniciosa de ódio que cerca o rap, que glorifica violência e despreza a autoridade (especialmente a polícia, mas incluindo os pais), exalta o materialismo inútil e elogia as drogas".
Para o professor David Wilson está claro que a cultura das gangues é um fenômeno real. "Uma vez eu entrevistei um menino que disse que 'apenas porque eu gosto da música não significa que eu concordo com as letras', e isto é verdade", afirma a professora FitzGerald. "Mas pode ser um fator quando levamos em conta aqueles podem ser particularmente suscetíveis".
Consumismo:
"Estes são saques em shoppings, caracterizados pelas escolhas dos consumidores", afirmou Zoe Williams, do jornal The Guardian. "Isto é o que acontece quando as pessoas não têm nada, quando coisas que eles não podem pagar são constantemente esfregadas em suas caras e eles não tem razão para acreditar que serão capazes de comprar estas coisas algum dia", acrescentou.
A professora Marian FitzGerald afirma que, em estudos sobre crimes de rua, este é um fator a ser lembrado. "Mas, com os distúrbios recentes, eu não tenho certeza - no contexto dos saques, está relacionado com o que você pode fazer. Além de telefones celulares e roupas, também houve roubos de coisas pequenas como doces e latas de cerveja".
Oportunismo:
"Enquanto mais e mais pessoas se envolveram com os distúrbios, outros tentaram se juntar a eles, confiantes de que uma pessoa em um mar de centenas tem pouca probabilidade de ser pega ou responsabilizada", escreveu Carolina Bracken para o jornal The Irish Times.
"Oportunismo misturado com o sentimento de fazer parte de uma grande gangue poderão ter estimulado quem normalmente não faria algo assim", afirma a professra FitzGerald. "Também é significativo o sentimento de invulnerabilidade, pois eles fazem parte de algo tão grande. E também está ligado a isto o sentimento de fazer algo transgressivo e se sentir poderoso em uma cultura na qual eles não tem muito poder".
Tecnologia e redes sociais:
"Redes sociais e outros métodos foram usados para organizar estes níveis de ganância e criminalidade", afirmou Steve Kavanagh, da Polícia Metropolitana.
Para o professor David Wilson, este é um fenômeno pouco explorado. "Durante anos sabemos que gangues e hooligans usavam a tecnologia para se juntar e brigar. Acho que a polícia foi muito lenta para reagir a isto". "Mas, como sabemos, telefones celulares também podem ser usados para enfrentar a criminalidade e, até certo ponto, acho que é algo que a polícia prefere subestimar", acrescentou.

PROTEJO ESTEIO ANALISA PROPOSTA DA COOPSSOL

A Prefeitura de Esteio analisa duas proposta da COOPSSOL Brasil para execução do Programa PROTEJO do Ministério da Justiça naquele municipio. A COOPSSOL participou do processo classificatório, ficando situado em segundo lugar no ítem UM formação de 300 jovens e em Terceiro no ítem dois Acompanhamento, Monitoramento e avaliação do Protejo. Este projeto 'Proteção de Jovens em território Vulnerável visa desenvolver uma ação de acolhimento e qualificação para resgatar jovens cumprindo medidas socioeducativas ou em situação de violência e abandono. Para a prefeitura de Esteio o Território da Paz no Jardim Primavera é o local onde são encontrados os indicadores de carência e necessidade de um conjunto de ações de formação e medidas de resgate de situações de vulnerabilidade que se encontram. Tão logo tenhamos conhecimento da analise técnica (que será certamente favorável) vamos atuar nessa realidade na perspectiva de transformá-la.

NOSSA PÁGINA FOI PRO CYBER SPACE????

As coisas da Internet tem seu lado obscuro. A tentativa de instalar um Plug in em nossa página www.coopssol.coop.br colocou-a em (in) disponibilidade. Porque não conseguimos fazer coisas boas (sem fragilidades) como essa? Tentamos o Provedor Rave Host que diz que não é com ele. Tentamos a Wordpress que não tem suporte. Agora vamos recorrer a quem? Fica ai a questão. Devemos nos tornar refém de um sistema proprietário para tem suporte? De outra sorte vejo que grandes corporações usam o sistema Linux com grandes benefícios até para nós, pois se tivéssem de pagar encareciam seus produtos, os quais somos consumidores também. Fica a questão os sistema 'de grátis' são preparados apenas para os grandes consumidores?. A ver.

domingo, 18 de julho de 2010

Conversa Afiada

Como o PiG(*) está muito aflito e começou a acreditar nos números

que o FHC colheu numa cerimônia de voodoo, o Conversa Afiada republica

singela tabelinha que compara os anos cinzentos de um com os anos

ensolarados de outro :

Dados atualizados:

Governos Lula X FHC!!

1) Juros Nominais (Taxa Selic):

FHC (2002): 25% ao ano;

Lula (2008): 8,75% ao ano;

2) Inflação (IPCA):

FHC - 12,5% (2002);

Lula - 4,3% (2009);

3) Transações Correntes:

FHC - Déficit de US$ 186,5 Bilhões (1995-2002);

Lula - Superávit de US$ 44 Bilhões (2003-2007);

4) Exportações:

FHC - US$ 60 Bilhões (2002; crescimento de 39% em 8 anos);

Lula - US$ 153 Bilhões (2009; crescimento de 155% em 7 anos));

5) Crescimento Econômico:

FHC - 2,3% ao ano (1995-2002);

Lula - 5,3% ao ano (2004-2008);

6) Empregos Formais:

FHC - 1.700.000 (1995-2002);

Lula - 9.700.000 (2003-2009);

7) Balança comercial:

FHC - Déficit de US$ 8,7 Bilhões (1995-2002);

Lula - Superávit de US$ 237 Bilhões (2003-2009);

8) Taxa de Desemprego:

FHC - 10,5% (Dezembro de 2002);

Lula - 6,8% (Dezembro de 2009);

9) Risco-País:

FHC - 1550 pontos (Dezembro de 2002);

Lula - 220 pontos (Janeiro de 2010);

10) Reservas Internacionais Líquidas:

FHC - US$ 16 Bilhões (Dezembro de 2002):

Lula - US$ 241 Bilhões (Janeiro de 2010);

11) Relação Dívida/PIB:

FHC - 51,3% do PIB (Dezembro de 2002);

Lula - 43% do PIB (Novembro de 2009);

12) Déficit Público Nominal (inclui despesas com juros):

FHC - 4% do PIB (2002):

Lula - 2% do PIB (2008);

13) Dívida Externa:

FHC - US$ 210 Bilhões (Dezembro de 2002) - 45% do PIB:

Lula - US$ 205 Bilhões (Janeiro de 2008) - Negativa em US$ 36 Bilhões;

14) Salário Mínimo em US$:

FHC - US$ 56 (Dezembro de 2002);

Lula - US$ 275 (Janeiro de 2010).

15) Inflação Acumulada (IPCA):

FHC - 100,6% (1995-2002);

Lula - 45% (2003-2009);

16) Pronaf:

FHC - R$ 2,5 Bilhões (2002);

Lula - R$ 15 Bilhões (2010);

17) ProUni:

FHC - Não existia;

Lula - 470 mil estudantes beneficiados;

18) PIB (em US$):

FHC - US$ 459 Bilhões (2002):

Lula - US$ 1,8 Trilhão (2009):

19) Produção de automóveis:

FHC - 1.791.000 (2002);

Lula - 3.130.000 (2009; crescimento de 74,8%);

20) Produção de máquinas agrícolas:

FHC - 52000 (2002):

Lula - 65000 (2007; crescimento de 25%);

21) Vendas de automóveis zero KM:

FHC - 1.465.000 (2002);

Lula - 3.140.000 (2009; crescimento de 114%);

22) Pagamento de juros da Dívida Externa em % das Exportações anuais:

FHC - 20,3% (2002);

Lula - 10,1% (2009);

23) Renda Per Capita:

FHC - US$ 2859 (2002);

Lula - US$ 9.300 (2009).

24) Coeficiente de Gini (Indica a Distribuição da Renda do Trabalho; quando mais próximo de 0 menor é a concentração da renda):

FHC - redução de 0,602 (1993) para 0,593 (2002);

Lula - redução de 0,593 (2002) para 0,544 (2008).

25) Indice de Pobreza:

FHC - 38,6% (1995); 38,2% (2002) - queda de 0,6 p.p.;

Lula - 38,2% (2002); 25,3 (2008) - queda de 12,9 p.p..

26) Gastos Sociais Públicos (% do PIB):

FHC - 19,2% (1995);

Lula - 21,9 (2005).

27) Pobreza Extrema (fonte: IPEA)

FHC - De 17,3% (1995) caiu para 16,5% (2002) (queda de 0,8 p.p.);

Lula - De 16,5% em 2002 caiu para 8,8% (2008) (queda de 7,7 p.p.).

28) Renda per capita mensal dos 10% mais pobres:

2001 - R$ 34

2008 - R$ 58 (crescimento de 70,6%);

29) Renda per capita mensal dos 10% mais ricos:

2001 - R$ 2316

2008 - R$ 2566 (crescimento 10,8%).

Obs: Assim, entre 2001 e 2008, a renda dos mais pobres cresceu 6,5 vezes mais do que a renda dos mais ricos.

Fontes: Banco Central, IBGE, IPEA.site do pha

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

IMPRESSIONANTE O QUE UM TORNEIROMECÂNICO PODE FAZER PELO BRASIL.
BALANÇO BRASIL 2009
O ex-presidente FHC mandou um recado esta semana pela televisão ao Senhor Lula da Silva para que trabalhasse mais, mentisse menos e não pensasse em terceiro mandato. Com base em dados publicados pela imprensa, tomo a liberdade de fazer um pequeno balanço comparativo dos oito anos do governo FHC com os sete anos do governo LULA. Balanços comparativos são previstos na Lei das Sociedades Anônimas (art. 176):
DADOS DO GOVERNO FHC LULA RISCO BRASIL 2.700 PONTOS200 PONTOSSALÁRIO MÍNIMO 78 DÓLARES280 DÓLARES (janeiro 2010)DÓLAR R$ 3,00R$ 1,78 (dezembro 2009)DIVIDA FMI TriplicouPAGOUINDUSTRIA NAVAL NÃO MEXEURECONSTRUIUUNIVERSIDADES NOVAS NENHUMA 10EXTENSÕES UNIVERSITÁRIAS NENHUMA 45ESCOLAS TÉCNICAS NENHUMA214VALORES E RESERVAS DO TESOURO NACIONAL185 BILHÕES DE DÓLARES NEGATIVOS230 bilhões de dólaresCRÉDITOS PARA O POVO - PIB 14%34%ESTRADAS DE FERRO NENHUMA 03 (EM ANDAMENTO) ESTRADAS RODOVIÁRIAS 90% DANIFICADAS 30% RECUPERADAS INDUSTRIA AUTOMOBILIÍSTICA EM BAIXA 20% EM ALTA 30% CRISES INTERNACIONAIS 04 ARRASANDO O PAÍS NENHUMA PELAS RESERVAS ACUMULADASCÂMBIO FIXO: ESTOURANDO O TESOURO NACIONAL FLUTUTANTE: COM LIGEIRASINTERVENÇÕES DO BACEN TAXA DE JUROS SELIC 27%8,75%MOBILIDADE SOCIAL 2 MILHÕES DE PESSOAS SAÍRAM DA LINHA DE POBREZA 23 MILHÕES DE PESSOAS SAÍRAM DA LINHA DE POBREZA EMPREGOS 780 MIL EMPREGOS 11 MILHÕES DE EMPREGOS INVESTIMENTOS EM INFRAESTRURA NENHUM 504 BILHÕES DE REAIS PREVISTOS ATÉ 2010POLICIA FEDERAL 80 PRISÕES Mais de cinco mil prisõesROMBO NO ESTADO BRASILEIRO 30 BILHÕES (ou mais) NAS PRIVATIZAÇÕESNenhumMERCADO INTERNACIONAL SEM CRÉDITO PARA COMPRAR UMA CAIXA DE FÓSFOROINVESTIMENT GREATECONOMIA INTERNA ESTAGNAÇÃO TOTAL COM DESINFLAÇÃO INERCIALINCLUSÃO DE CONSUMIDORES E SURGIMENTO DE INVESTIDORESREFORMAS POLITICA, ADMINISTRATIVA, TRIBUTÁRIA NENHUMANENHUMA

sábado, 26 de setembro de 2009

Barlavento

Barlavento é um (mais um) espaço das idéias que querem mudar e criticar o mundo (não necessariamente nesta ordem, porque para isso não há uma ordem pré-estabelecida).Somos de esquerda. Não embarcamos na arca dos novos contentes que dizem que isso não quer mais dizer nada. Nem temos uma definição inabalável do que isso queira dizer. Mas não suportamos ver a vida (o tempo de vida, tudo do que é e pode ser feita) reduzida à mercantilização; não nos conformamos com a distribuição injusta e desigual do acesso ao mundo e não tomamos como naturais nenhuma das formas pelas quais pessoas estejam subjugadas a pessoas.Nosso compromisso é com a crítica que se pretenda útil, a serviço das mudanças almejadas e das resistências necessárias. Entendemos o marxismo como uma ferramenta indispensável para compreender o mundo e pensar a construção de uma nova sociedade, na qual homens e mulheres não explorem seus semelhantes, e nem sejam obrigados/as a competir com eles/as.Barlavento não é um porta-voz de posições de um agrupamento político; pretende ser uma janela de diálogo entre posições conseqüentes na trincheira da transformação. Estará aberto a diferentes abordagens do enorme desafio de entender melhor o mundo do ponto de vista dos que querem transformá-lo.No momento em que se multiplicam as “vozes” no mundo virtual, não nos vemos como em disputa com outros espaços, mas compondo o leque das expressões (de movimentos sociais, partidos, veículos alternativos de comunicação) de uma esquerda que se recusa a escolher entre a adesão silenciosa e gritos vazios. Queremos pensar e não nos sentimos envergonhados por isso. E este espaço só existe porque queremos fazê-lo em diálogo, em aberto, ao “ar livre” das outras percepções.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

o assassinato de Elton Brum pela Brigada Militar

Nota do MST: “Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio. Toda uma vida de luta!”
Aug 21st, 2009
by Marco Aurélio Weissheimer. 2 comments
O MST acaba de divulgar nota pública sobre o assassinato de Elton Brum pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul:
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público, manifestar novamente seu pesar pela perda do companheiro Elton Brum, manifestar sua solidariedade à família e para:
1. Denunciar mais uma ação truculenta e violenta da Brigada Militar do Rio Grande do Sul que resultou no assassinato do agricultor Elton Brum, 44 anos, pai de dois filhos, natural de Canguçu, durante o despejo da ocupação da Fazenda Southall em São Gabriel. As informações sobre o despejo apontam que Brum foi assassinado quando a situação já encontrava-se controlada e sem resistência. Há indícios de que tenha sido assassinado pelas costas.
2. Denunciar que além da morte do trabalhador sem terra, a ação resultou ainda em dezenas de feridos, incluindo mulheres e crianças, com ferimentos de estilhaços, espadas e mordidas de cães.
3. Denunciamos a Governadora Yeda Crusius, hierarquicamente comandante da Brigada Militar, responsável por uma política de criminalização dos movimentos sociais e de violência contra os trabalhadores urbanos e rurais. O uso de armas de fogo no tratamento dos movimentos sociais revela que a violência é parte da política deste Estado. A criminalização não é uma exceção, mas regra e necessidade de um governo impopular e a serviço de interesses obscuros, para manter-se no poder pela força.
4. Denunciamos o Coronel Lauro Binsfield, Comandante da Brigada Militar, cujo histórico inclui outras ações de descontrole, truculência e violência contra os trabalhadores, como no 8 de março de 2008, quando repetiu os mesmos métodos contra as mulheres da Via Campesina.
5. Denunciamos o Poder Judiciário que impediu a desapropriação e a emissão de posse da Fazenda Antoniasi, onde Elton Brum seria assentado. Sua vida teria sido poupada se o Poder Judiciário estivesse a serviço da Constituição Federal e não de interesses oligárquicos locais.
6. Denunciamos o Ministério Público Estadual de São Gabriel que se omitiu quando as famílias assentadas exigiam a liberação de recursos já disponíveis para a construção da escola de 350 famílias, que agora perderão o ano letivo, e para a saúde, que já custou a vida de três crianças. O mesmo MPE se omitiu no momento da ação, diante da violência a qual foi testemunha no local. E agora vem público elogiar ação da Brigada Militar como profissional.
7. Relembrar à sociedade brasileira que os movimentos sociais do campo tem denunciado há mais de um ano a política de criminalização do Governo Yeda Crusius à Comissão de Direitos Humanos do Senado, à Secretaria Especial de Direitos Humanos, à Ouvidoria Agrária e à Organização dos Estados Americanos. A omissão das autoridades e o desrespeito da Governadora à qualquer instituição e a democracia resultaram hoje em uma vítima fatal.
8. Reafirmar que seguiremos exigindo o assentamento de todas as famílias acampadas no Rio Grande do Sul e as condições de infra-estrutura para a implantação dos assentamentos de São Gabriel.
Exigimos Justiça e Punição aos Culpados!
Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio. Toda uma vida de luta!
Reforma Agrária, por justiça social e soberania popular!

domingo, 2 de agosto de 2009

PÁTRIA MADRASTA VIL


08 Junho 2009

PÁTRIA MADRASTA VIL
ALUNA BRASILEIRA DE DIREITO GANHA CONCURSO MUN DIAL DE REDAÇÃO

PÁTRIA MADRASTA VIL
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência... Exagero de escassez... Contraditórios? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL... Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições. Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil. A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição! É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem! A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar.E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso? Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil. Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona? Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos... Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?

Autora: Clarice Zeitel Vianna Silva, 26 anos, estudante de direito.

Publicidade na gestão Serra


MP abre investigação sobre publicidade na gestão Serra AE - Agencia Estado SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) abriu inquérito civil para apurar suposta omissão por parte do governo do Estado de São Paulo quanto à prestação de informações sobre contratos e gastos de publicidade durante o ano de 2008. A investigação foi aberta após o deputado estadual Rui Falcão (PT) acusar formalmente o governo José Serra (PSDB) de ocultar dados e atrasar o envio das respostas referentes a esses gastos para a Assembleia Legislativa do Estado.No Inquérito Civil 312/2009, o promotor Silvio Marques registra que serão alvo das investigações as despesas e os contratos de publicidade referentes ao ano de 2008, tanto da administração direta como das autarquias e empresas estaduais, bem como os dados relativos às campanhas de transporte e saneamento veiculadas a partir de dezembro do ano passado.O líder da bancada do PT sustenta que 16 requerimentos pedindo informações a órgãos do governo foram respondidos de forma incompleta e fora do prazo, não permitindo análise dos gastos com publicidade. Por lei, os órgãos do governo são obrigados a prestar informações e dentro do prazo de 30 dias. Levantamento feito pela liderança do PT no Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo) mostra que só na administração direta o governo Serra aumentou em 38,6% os gastos de propaganda nos quatro primeiros meses deste ano em comparação com igual período de 2008.
Você está pagando o condomínio residencial do senador José Agripino Maia
Quem mora em apartamento sabe o quanto é duro todo mês pagar o condomínio, e quem mora em casa também tem que pagar a água, e as demais contas da casa.Mas o senador José Agripino Maia (DEMos/RN), não tem esse problema.O líder do DEMos no senado mora no topo de um edifício de luxo de 16 andares. Uma cobertura, com piscina, no Condomínio Residencial Aurino Vila. Fica na Rua Carlos Passos, bairro do Tirol, área prá lá de nobre de Natal.O condomínio de R$ 810,00 por mês é a gente quem paga.Apesar do polpudo salário de um senador, José Agripino Maia pendura a conta na verba indenizatória do Senado, para o povo brasileiro pagar, como se fosse despesa de "escritório político".http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de julho de 2009

sábado, 18 de julho de 2009

jornalista condenado por fazer jornalismo


A história de Lúcio Flávio Pinto, jornalista condenado por fazer jornalismo
Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares. Há 17 anos, os representantes da família Marinho no Pará (O Liberal) perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, um dos donos do Grupo Liberal já emboscou Lúcio por trás, num restaurante, e espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar. Agora, um juiz do Pará condenou Lúcio Flávio a pagar 30 mil reais aos irmãos Maiorana. O artigo é de Idelber Avelar.
Idelber Avelar - O Biscoito Fino e a Massa
Artigo publicado no blog O Biscoito Fino e a Massa.Prepare-se, caro leitor, para outro mergulho no Brasil profundo. Lúcio Flávio Pinto talvez seja hoje o jornalista mais respeitado e destemido da Região Norte. Ele é o solitário redator do Jornal Pessoal, empreitada independente, que não aceita anúncios, tem tiragem quinzenal de 2 mil exemplares e mesmo assim provoca um fuzuê danado entre os poderosos, dada a coragem com que Lúcio investiga falcatruas e crimes. Lúcio já ganhou quatro prêmios Esso. Recebeu também dois prêmios da Federação Nacional dos Jornalistas em 1988, por suas matérias dedicadas ao assassinato do ex-deputado Paulo Fonteles e à violenta manifestação de protesto dos garimpeiros de Serra Pelada. Em 1997, ele recebeu o Colombe d’Oro per la Pace, um dos mais importantes prêmios jornalísticos da Itália. Em 1987, foi o jornalista que investigou o rombo de 30 milhões de dólares no Banco da Amazônia, por uma quadrilha chefiada pelo presidente interino do banco e procurador jurídico do maior jornal local, O Liberal. Há 17 anos, os representantes paraenses da corja comandada pela família Marinho perseguem-no de forma implacável. Ronaldo Maiorana, dono (junto com seu irmão, Romulo Maiorana Jr.) do Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, emboscou Lúcio por trás, num restaurante, e espancou-o com a ajuda de dois capangas da Polícia Militar, contratados nas suas horas vagas e depois promovidos na corporação. O espancamento, crime de covardia inominável, só rendeu a Maiorana a condenação a doar algumas cestas básicas. Alguns meses depois da agressão, Lúcio foi convidado pelo jornalista Maurizio Chierici a escrever um artigo para um livro a ser publicado na Itália. O texto, eminentemente jornalístico, relatava as origens do grupo Liberal. Em determinado momento, dentro de um contexto bem mais amplo, ele fez referência às atividades de Maiorana pai no contrabando, prática bem comum, aliás, na Região Norte na época. Como se pode depreender da leitura do artigo, nada ali tinha cunho calunioso, posto que – uma vez processado --, Lúcio anexou aos autos toda a documentação que provava a veracidade do que afirmava. A obra investigativa de Lúcio fala por si própria: veja a qualidade da prosa e da pesquisa que informa o trabalho de Lúcio e julgue você mesmo. O que ele oferece em seus textos, entre muitas outras coisas, é a documentação, história e raízes daquilo que é sabido até mesmo pelos mosquitos do mercado Ver-o-Peso: que n'O Liberal só se publica aquilo que é de interesse da corja dos Marinho. Mas eis que chega do Pará a estranha notícia de que o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém, condenou Lúcio a pagar a soma de 30 mil reais aos irmãos Maiorana – representantes paraenses, lembrem-se, da organização comandada pelos Marinho. Lúcio também foi condenado a pagar as custas processuais e os honorários advocatícios. A pérola de justificativa do juiz fala do “bom lucro” de um jornal artesanal, de tiragem de 2 mil exemplares por quinzena. Ainda por cima, o juiz proíbe Lúcio de usar “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”, o que constitui, segundo entendo, extrapolação característica de censura prévia contrária à Constituição Federal. O juiz fundamenta sua decisão dizendo que Lúcio havia “se envolvido em grave desentendimento” com eles. É a velha praga do eufemismo: um espancamento pelas costas se transforma em “desentendimento”. A reação de Lúcio à sentença pode ser lida nesse texto. O Biscoito se solidariza com Lúcio, coloca o site à disposição para o que for necessário - inclusive para a publicação de qualquer material objeto de censura prévia – e suspira de cansaço ao fazer outro post que mais parece autoplágio, dada a tediosa repetição desses absurdos. Resta a pergunta: até quando os Frias, Marinho, Civita, Mesquita e seus comparsas vão manter esse poder criminoso Brasil afora?

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Juiz que enfrenta narcopolítica vive confinado no Brasil.


03 Jul
Reportagem
Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância de sete agentes federais fortemente armados. Oliveira é juiz federal em Ponta Porã , cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta. Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. ‘A única diferença é que tenho a chave da minha prisão. Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte.

Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.’ No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. ‘Estou valorizado’, brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado.

É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarrotado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande.. O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. ‘Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada.

Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu ‘bunker’, auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos , condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas. O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.

Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o ‘rei da soja’ no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. ‘As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.’ O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha ‘dever de ofício’ enfrentar o narcotráfico. ‘Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Lula, o inconcebível


Já fez mais do que todos os outros
Recebi este texto por email. De tão simples e direto e por desnudar os vários preconceitos de que é vítima o presidente Lula, resolvi partilhá-lo. Leiam, vale a pena.

O inconcebível Lula

FHC, o farol, o príncipe dos sociólogos, entende de sociologia tanto quanto o governador de São Paulo pelo PSDB, José Serra, entende de economia.

*Lula, que eles dizem que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores.
*Lula, que eles dizem que não entende de economia, pagou as contas do entreguista FHC e ainda zerou a dívida com o FMI…
*Lula, que não entende de educação, pois boa parte da oposição e da mídia o classificam como analfabeto e burro, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos e ainda criou o Pró-Uni onde filho de pobre vai à universidade…
*Lula, que eles dizem que não entende de finanças nem de contas públicas elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares e não quebrou a Previdênciacomo dizia FHC…
*Lula, que eles dizem que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e mantém o Brasil inteiro e forte em plena crise financeira mundial
*Lula, que eles dizem que não entende de engenharia, nem de mecânica, reabilitou o pró-alcool, acreditou no biodisel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis…
*Lula, que dizem que não entende de política , mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8…
*Lula, que eles dizem que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros dosul e especialmente para o vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista, tem trânsito livre com Chaves, Fidel, Obama, Evo etc….
*Lula, ainda, colocou o primeiro negro no Supremo e uma mulher no cargo de “primeira-ministra” e vai fazê-la sua sucessora.
*Lula, que eles dizem que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora do Estado investir e hoje (o PAC) é um amortecedor da crise…
*Lula, que eles dizem que não entende de crise, mandou abaixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre…
*Lula, que eles chamam de analfabeto, não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado como uma das pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual…
Pois é, eles dizem Lula não entende nada de nada e mesmo assim é melhor que todos os outros presidentes que o Brasil já teve. Por Bohn Gass.

domingo, 14 de junho de 2009

A sociedade contemporânea à luz da utopia

A sociedade contemporânea à luz da utopia, na visão de intelectuais italianos http://oriundi.net/index.phpgunda-feira - 01/06/2009

Vita Fortunati, da Universidade de Bolonha, e Cosimo Quarta, da Universidade do Salento, além de dois outros colegas europeus, analisam o lugar do ideário da utopia no mundo contemporâneo. Fotos: Jornal da Unicamp
Os professores Cosimo Quarta (Universidade do Salento), Vita Fortunati (da Universidade de Bolonha), Jean-Michel Racault (Universidade da Réunion) e Peter Kuon (Universidade de Salzbourg) analisam, em artigo publicado no Jornal da Unicamp, o lugar do ideário da utopia no mundo contemporâneo e sua influência na produção cultural, apontando também quais são as obras relevantes que atualmente se enquadram no pensamento utópico.
Os quatro intelectuais, que fazem parte do conselho editorial da Revista Morus, editada no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), participarão do II Congresso Internacional de Estudos Utópicos, que ocorre na Unicamp entre os dias 7 e 10 de junho. O evento reunirá representantes de 11 países e de 36 universidades.
Vita Fortunati é professora de língua e literatura inglesas, é diretora do Centro Interdipartimentale di Ricerca sull'Utopia da Universidade de Bolonha e de Forme dell'Utopia, uma coleção de textos primários e críticos publicada pela editora Longo, de Ravena. Coordena, em nível nacional, o primeiro projeto europeu de Master (Erasmus Mundus Gemma) em Women's and Gender Studies e também um projeto europeu de redes temáticas sobre o tema da Interface entre Ciências Humanas e Ciências Exatas com o título Acume 2, Interfacing Sciences, Literature and Humanities.
Cosimo Quarta é professor de filosofia da história e ética ambiental na Universidade do Salento (Lecce, Itália), e co-fundador e diretor do Centro Interdipartamentale di Ricerca sull'Utopia. Suas pesquisas, desde o início dedicadas ao pensamento utópico, tratam dos problemas de história da utopia (Platão, Morus, Campanella, Andreae, Péguy) e das relações entre utopia e ideal, ideologia, mito, escatologia, milenarismo, futurologia, ciência, ficção científica, ecologia, revoluções, igualdade, paz, não-violência.
Jornal da Unicamp - A utopia ajuda a compreender o mundo contemporâneo?
Jean-Michel Racault - Poderíamos responder a esta pergunta com duas outras: O que se deve entender por mundo contemporâneo? O que é utopia?
A primeira pergunta é bastante simples. Se o "mundo contemporâneo" é entendido como aquele ao qual pertence certa obra utópica, seu autor e também seus leitores, a resposta é, certamente, sim. Parece que em todas as épocas a função principal dos textos utópicos foi a de entabular uma reflexão crítica sobre a realidade social na qual eles estão enraizados.
A República de Platão é uma resposta à crise das cidades gregas após a guerra do Peloponeso, no momento em que elas se encontram em meio a modelos antagonistas, Atenas e Esparta, a democracia e o autoritarismo, o comércio e a guerra. Quando publica sua Utopia em 1516, em plena conquista européia da América e às vésperas da Reforma, é evidente que Thomas More tenta pensar ao mesmo tempo os dois problemas que são colocados em sua época: um mundo brutalmente dilatado pelas Grandes Descobertas, e as relações do cristianismo e do paganismo em uma perspectiva religiosa renovada pelo humanismo evangélico.
Mas se a palavra "contemporâneo" designa o mundo onde nós vivemos hoje, em 2009, a questão exige que nos indaguemos se este vastíssimo corpus de textos que se estende por mais de dois milênios - grosso modo, da República de Platão à atual ficção científica - tem algo a nos ensinar ainda hoje. Sobre este ponto, a resposta depende muito da universalidade ou da variabilidade dos ideais e dos sistemas políticos: o que nos aparece hoje em dia como bom e justo seria também o ideal de dois mil anos atrás? A tipologia dos modelos de governo sobre a qual o pensamento político se apoiou durante séculos - timocracia, oligarquia, democracia, tirania - é passível de ser transposta ao mundo atual, apesar de todas as suas mutações?
Quanto à segunda interrogação - o que é a utopia? - ela é provavelmente insolúvel, pois esta palavra compreende duas noções diferentes. Se chamarmos de utopia o "sonho de um mundo melhor", ou seja, a aspiração a transformar a realidade existente para que se chegue a uma sociedade mais racional, mais justa, mais feliz… o objetivo parece ser agir sobre a realidade contemporânea ao invés de procurar compreendê-la, mesmo que uma coisa dependa da outra.
Mas ganharíamos em clareza se batizássemos de utopismo tudo o que se configure como programa de transformação radical da sociedade, reservando a palavra utopia para um gênero literário em que se apresenta ao leitor uma sociedade imaginária, apartada, em funcionamento, como se ela realmente existisse. Há, portanto, sem dúvida alguma, um deslocamento em relação ao mundo contemporâneo do autor e do leitor. No entanto, este deslocamento não se situa mais na dimensão do porvir, como é o caso no utopismo, mas na dimensão do alhures - por exemplo, numa ilha dos antípodas.
Neste caso, o objetivo primeiro não é transformar a sociedade de seu tempo, mas ajudar a compreendê-la, pensando-a em sua complexidade. Contrariamente à representação convencional do utopista como um sonhador irrealista ou um entusiasta ingênuo, os autores das utopias são mais irônicos do que militantes.
Vita Fortunati - Estudando a utopia no final do século XX e no início do século XXI não se pode prescindir de interrogar-se sobre sua função na história e na sociedade contemporânea. Tal questão é fundamental não apenas quando se elabora um projeto de pesquisa, mas também se escolhemos trabalhar com os temas da utopia e do utopismo em cursos destinados a estudantes universitários.
Penso que a potência da utopia reside na capacidade de suscitar um pensamento sobre os possíveis laterais da experiência. Trabalhar, nestes anos, tem tido o sentido de confrontar-me com estudiosos de disciplinas diversas, unidos por uma clara vontade de repensar tanto a capacidade de especulação e abstração que a utopia implica, quanto suas declinações históricas e suas valorações políticas e ideológicas. Ainda mais ambiciosa foi, e ainda é, a vontade de entender se é possível adotar a utopia como método, isto é, como instrumento de indagação do real, como método hermenêutico.
Nessa perspectiva, creio poder individuar finalidades comuns aos estudiosos do Centro, afirmando que indagar sobre a utopia e a antiutopia nestes anos significou atribuir um valor importante ao percurso heurístico que cada pensador utópico traça, ainda que com orientações extremamente diversas. A utopia pode também ser considerada como a procura de compensação para algo que está faltando e se busca tenazmente, tanto em termos sociais quanto pessoais. Como evidenciaram F.E. Manuel e F.P. Manuel em Utopian Thought in the Western World [1979], a relação que o utopista instaura com o tempo e com a história é complexa e intricada.
O utopista observa o real com um olhar escrutador e em seguida se distancia, ou mais precisamente, recua para assumir um comportamento crítico, desconstrutivo frente aos males e à sociedade contemporânea. A utopia - e aqui fica clara a ligação genealógica com a sátira - pressupõe uma recusa global do mundo: o utopista opera uma dissecção que o leva a efetuar uma censura. Enquanto o escritor satírico anatomiza o real para revelar seus defeitos, o utopista é capaz de superar a fase destruens pela criação do projeto: ele descompõe o real para recompô-lo segundo o próprio nomos.
Na utopia positiva se passa sempre de uma fase destruens a uma fase costruens. Observar as convenções e as instituições de um ponto de vista recrutado significa esvaziá-las dos significados que lhes são atribuídos pelo senso comum. Este procedimento passa de comportamento mental a, não apenas um expediente de técnica literária, mas também a um modo de deslegitimar cada aspecto político, social e religioso da sociedade onde vive o utopista.
Peter Kuon - Vivendo um progresso tecnológico e civilizatório irresistível, o mundo contemporâneo perdeu a ilusão de poder realizar uma sociedade ideal. A utopia programática, projeto a realizar, não tem mais futuro. Valeria mais lembrar-se dos inícios da utopia, em Thomas Morus, como diálogo controverso acerca da hipótese de uma sociedade perfeita. Esta hipótese é sempre atual, em todas as contemporaneidades, já que ela permite pensar, mediante uma imagem concreta, alternativas ao mundo existente. O questionamento do topos passa pelo ou-topos. Reformulando a questão: a utopia não ajuda a compreender o mundo contemporâneo, ela ajuda a pensar o "outro" do mundo contemporâneo.
Cosimo Quarta - Se a utopia, como defendo, é sobretudo um comportamento fundamental do espírito humano, isto é, uma característica peculiar da espécie homo, enquanto homem, desde suas primeiras origens, que se manifesta não apenas como sapiens, mas também como utopicus, ou seja, um "ser projetante", então não há dúvida que a utopia ajuda a compreender o mundo contemporâneo muito melhor do que outras categorias da história. No entanto, para utilizar corretamente a utopia como modelo de interpretação histórica - e portanto do mundo contemporâneo - é necessário preliminarmente redefinir seu conceito, depurando-o de todas as incrustações que ao longo dos séculos o deturparam e banalizaram.
Dito de outro modo, é preciso liberar-se da concepção corrente que entende a utopia como extravagância, quimera, castelo nos ares, cidade nas nuvens, sonho, miragem, ilusão e por aí vai. Mas é preciso também evitar definir a utopia como cidade ideal, estado perfeito, sociedade imaginária, pois são estas definições que não apreendem o verdadeiro sentido da utopia, tal como o havia originariamente entendido Thomas More que, como é sabido, foi quem cunhou este extraordinário neologismo, que hoje é conhecido e usado - infelizmente, com frequência despropositada - praticamente em todas as línguas do mundo.
No exastichon do "poeta Anemolius" - um dos escritos preliminares que acompanharam a obra de More logo nas primeiras edições - é explicado com clareza o sentido do termo "Utopia". Este "estado" - cujo território transformou-se de península em ilha - foi chamado pelos antigos ou-topia (não lugar), ou seja, a ilha que "não é", por causa do seu "isolamento", porque ninguém a conhecia nem a frequentava; mas, após a conquista de Utopus, ela foi transformada em um "ótimo estado", isto é, em uma sociedade que possuía instituições tão boas que não somente podiam competir com a República de Platão, mas chegavam a superá-la, já que, enquanto Platão havia delineado seu estado somente com palavras, e desta forma ele havia permanecido um projeto, a Utopia se apresenta, ao contrário, como uma sociedade viva, justa, plenamente realizada, com ótimas instituições, e por isso, justamente, o poeta Anemolius (ou seja, More) conclui que ela pode ser chamada de Eutopia, o "lugar do bem", a boa pólis, ou ainda o "ótimo estado", onde reinam a justiça, a liberdade, a cultura, o bem-estar. More está nos dizendo, portanto, que Utopia é o projeto da sociedade boa, justa, virtuosa e fraterna (eu-topia) que ainda não existe (ou-topia), mas está propensa a se realizar.
Viver em uma sociedade guiada pela justiça constitui uma das mais profundas aspirações da humanidade. Desde os primórdios da história - como muitos mitos nos revelam claramente - cada geração humana elaborou (de maneira implícita ou explícita) um projeto utópico próprio, esforçando-se para realizá-lo, mesmo se tal realização nunca é completa por causa dos obstáculos que se interpõem sempre que se passa da teoria à prática.
Mas o que uma geração não consegue realizar é retomado pelas gerações sucessivas que, por sua vez, elaboram seu projeto utópico, e assim acontecerá sempre, enquanto durarem o homem e a história. Portanto, haverá utopia enquanto houver história. Eis porque a utopia pode ser também definida como o motor da história. Compreende-se melhor, agora, à luz destas considerações, porque a esta primeira pergunta respondi que a utopia ajuda a compreender o nosso tempo muito melhor do que outros modelos interpretativos do processo histórico.
JU - Existe um revival da questão utópica? Se sim, quais são as razões deste fato?
Jean-Michel Racault - Aqui, mais uma vez, pode-se responder com um sim e um não.
Não, porque como gênero literário, a utopia sob sua forma que podemos qualificar de "clássica" cessou, ao que parece, de ser produtiva hoje, e compreende-se bem o porquê. Esta forma, surgida em 1516 junto com a palavra, com A Utopia de Thomas More, repousava sobre a ficção de uma viagem realizada - por um europeu quase sempre - a uma região afastada e desconhecida, frequentemente uma ilha do hemisfério sul. É o caso, em More, da ilha de Utopia - ela se chama assim - que o título apresenta como "recentemente descoberta" por um dos companheiros de Vespucci.
Mais tarde, nos séculos XVII e XVIII, as utopias se apoiarão com mais frequência em um mito científico, o do Grande Continente Austral Desconhecido, com seus arquipélagos satélites, que os cosmógrafos supõem indispensável ao equilíbrio do globo para compensar a massa emersa do hemisfério Norte. Mas este mito vai por água abaixo com as grandes expedições científicas de finais do século XVIII, particularmente com a segunda viagem do capitão Cook em 1772, que demonstra que as Terras Austrais, se existem, não têm nem as dimensões, nem o clima, nem, é lógico, as populações que se imaginava.
O fundamento da utopia é a alteridade. Ora, a partir dos anos 1880, não há mais nenhuma zona desconhecida no globo terrestre e a alteridade geográfica das localizações imaginárias não é mais aceitável do ponto de vista da verossimilhança. O modelo utópico tradicional, da ficção realista com descoberta fortuita de uma ilha desconhecida, não é mais realmente admissível, então o gênero deve adotar outras formas.
E talvez neste momento possamos responder positivamente e falar de revival da utopia por meio de diversas renovações formais cujas origens são, aliás, relativamente antigas. Por exemplo, a viagem no tempo - e não mais no espaço -, cujo primeiro exemplo é L'An 2440 de Louis-Sébastien Mercier [1771], mas que se desenvolverá sobretudo a partir do fim do século XIX - Looking Backwards, de Bellamy, 1888 ou News from Nowhere, de Morris, 1890.
E, sobretudo, é claro, a ficção científica, que não podemos reduzir a uma versão modernizada da antiga literatura utópica, mas que aborda frequentemente os mesmos problemas combinando as duas formas de deslocamento em relação ao real de referência, no espaço - os outros planetas - e no tempo - o futuro. Aqui também as origens são muito antigas: desde o século XVII Cyrano de Bergerac, em L'Autre Monde [1657] havia aplicado dados científicos - da recentíssima revolução astronômica galileana - para relatar uma viagem à Lua seguida de uma outra, ao Sol.
Vita Fortunati - Creio que existe um ressurgimento do pensamento utópico por uma série de motivos. O primeiro: após a crise do capitalismo e das ideologias, precisamos de modelos alternativos. Nestes anos, no nosso centro, temos afrontado o problema da identidade europeia e da interculturalidade em uma perspectiva utópica. Creio que, numa visão global, há a necessidade de um confronto entre as várias tradições do pensamento utópico, não apenas a ocidental, mas também a asiática e a africana.
Gostaria de assinalar que, nos últimos anos, os estudos utópicos, e certamente também as pesquisas promovidas pelo Centro di studi interpatimentali dell'Utopia de Bolonha, orientaram-se principalmente em duas vertentes.
A primeira está centrada em questões essencialmente teóricas e metodológicas: a interrogação sobre a definição de "utopia", "antiutopia" e "distopia", buscando a superação da dicotomia que nos últimos decênios havia gerado polêmicas, entre a representação clara, separada do melhor e do pior dos mundos possíveis.
A segunda se esforça para encontrar novas possibilidades de discussão da proposta utópica. Útil para este propósito foi o surgimento da definição de "utopia crítica". Com esta definição se pretende fazer referência a figurações de um alhures elaboradas por meio de um processo de desconstrução e de reconstrução, e de uma visão deformante e ideal, que se conciliam em um mundo "outro" não mais rigidamente codificado, mas aberto às negociações do sujeito.
Peter Kuon - Hesito em responder esta pergunta. Se sim, o revival nasce do Yes we can de Obama, promessa e esperança de reinventar uma sociedade e as relações internacionais. Veremos o que se seguirá!
Cosimo Quarta - Acredito que hoje, mais do que um revival, há uma urgente necessidade de utopia. É sabido que depois da queda do comunismo soviético, muitos autores, fazendo infelizmente uma terrível confusão entre utopia e distopia, se precipitaram declarando a "morte" ou o "fim" da utopia, enquanto é possível notar que ela está mais viva do que nunca.
A crise ambiental, primeiro, e a gravíssima crise econômica em nível mundial, agora, mostraram claramente, a todos, os limites do sistema capitalista a tal ponto que hoje por todo lado se invoca uma mudança radical da sociedade em escala planetária. Em particular, a valência utópica da ecologia está se revelando decisiva não apenas para o nosso tempo, mas também para as gerações futuras.
"O milênio se abriu com ferozes conflitos causados por nacionalismos contrapostos'
JU - A produção cultural contemporânea sente a influência das idéias utópicas, em sentido amplo?
Jean-Michel Racault - Sim, sem dúvida, mas com certa desconfiança, que se explica por vários fatores. Primeiramente, a crise das ideologias, principalmente daquelas que propõem receitas mágicas e explicações totalizantes. É o caso de certa vulgata marxista que foi comprometida pela queda do "comunismo real", e mais ainda pela confrontação entre a teoria e sua realização concreta, particularmente terrificante no caso do regime dos Khmers Vermelhos, que era de fato um tipo de utopia posta em prática.
Desconfiança, mais geralmente, face ao próprio movimento do pensamento utópico, percebido como normativo, autoritário, até totalitário: é nobre querer para todos o que é justo, mas não é perigoso impor isso, e esta tentação não é inerente à convicção de deter a verdade? De modo que uma grande parte das utopias modernas é, em realidade, composta de antiutopias cujo objetivo não é propor um modelo de transformação social, mas prevenir contra um processo inevitável, pois resultante da evolução sócio-tecnológica das civilizações.
Penso, certamente, em Brave New World de Huxley [1932] ou em 1984 de Orwell [1949], mas podemos nos perguntar se a antiutopia também não seria tão antiga quanto a utopia. Os grandes textos utópicos são ao mesmo tempo utopias e antiutopias; já era o caso, por exemplo, da sociedade equina imaginada por Swift na última parte das Gulliver's Travels [1726]. Esta sociedade é dada por perfeita, mas, refletindo bem sobre ela, percebemos que esta perfeição a torna inquietante, e de todo modo ela não pode ser um modelo, já que seus habitantes, ironicamente, são cavalos, e não homens...
Talvez haja um campo onde a utopia classicamente positiva permanece como tal hoje em dia. É aquele dos movimentos ditos "alternativos" que nunca conheceram realização enquanto estado de grande amplitude -diferentes do comunismo, por exemplo - e podem portanto, por meio do gênero utópico, exprimir a busca da alteridade em todo seu vigor. Há assim utopias ecologistas como Ecotopia, de Callenbach [1975], ou Voyage au pays de l'utopie rustique, de Mendras [1979]. A forma utópica se presta particularmente bem aqui a encarnar propostas concretas, organizar um debate, refutar objeções, e, sobretudo, a representar visualmente sob a forma de quadros descritivos os resultados assim obtidos pela aplicação das teses ecologistas.
Vita Fortunati - Utopias críticas (critical dystopias), utopias imperfeitas (flawed dystopias): estas novas definições nascidas do vivo debate atual entre estudiosos de utopia colocam em evidência o quanto há, na nossa contemporaneidade, de consciência histórica dos perigos implícitos da utopia entendida como modelo abstrato e totalizante. Percebe-se, portanto, a necessidade de se propor utopias "imperfeitas", onde seus habitantes se interrogam sobre o sentido ético do próprio agir, porque sabem que as utopias perfeitas do passado sempre foram construídas às custas de alguém que nelas não estava incluído ou estava incluído mediante um custo altíssimo de sofrimento e abuso.
O novo milênio se abriu com trágicos episódios de terrorismo - o primeiro da fila foi o 11 de setembro -, e com ferozes conflitos provocados por nacionalismos contrapostos. Estes e outros acontecimentos fariam pensar que estamos novamente em uma fase fria da utopia e do utopismo, mas a recente produção narrativa evidencia como, ao contrário, ainda há necessidade de utopia. Utopia entendida como capacidade de interrogar-se criticamente sobre a realidade que nos circunda, como educação voltada para a imaginação e para o desejo de mudá-la. Ler e estudar a utopia pode, portanto, tornar-se um estímulo para empenhar-se a agir concretamente sobre a realidade.
Na segunda metade do século XX, a utopia não é apenas um objeto de estudo amplamente investigado, como demonstram os numerosos trabalhos neste setor específico, mas torna-se também um modo de declarar o próprio posicionamento político. Deste ponto de vista, consequentemente, a utopia não é nunca um objeto neutro, porque nela há um alto investimento científico e pessoal.
Muitas utopias são fundadas sobre o pensamento de filósofos que renovaram o pensamento ocidental: E. Bloch, M. Foucault, G. Deleuze, F. Guattari, J. Baudrillard e, mais recentemente, F. Jameson, D. Harvey, R. Arundhati, e até o controverso Toni Negri, que indagaram o pensamento marxista para focalizar seus limites e para recontextualizá-lo em relação aos problemas da contemporaneidade, como o globalismo, as novas hegemonias e o pós-colonialismo.
Peter Kuon - Para repensar as "megalópoles" brasileiras, porque não reler Italo Calvino, Le città invisibili, uma reflexão utópica sobre as relações entre os espaços urbanos e seus habitantes?
Cosimo Quarta - Não há dúvida que o pensamento utópico tenha influenciado não apenas a produção cultural contemporânea - história, filosofia, literatura, política, economia, ciência, tecnologia etc.-, mas está penetrando, ainda que com dificuldade, na consciência dos povos.
JU - Quais obras atuais, realmente relevantes, estão dentro de um enquadramento utópico?
Jean-Michel Racault - Um título me vem à lembrança, talvez porque este título contenha em si um resumo de toda a tradição utópica desde o Renascimento: La Possibilité d'une île, romance de Michel Houellebecq publicado em 2005. Sua forma, no entanto, não tem nenhuma relação com a forma de uma utopia, nem, aparentemente, o conteúdo. Mas ele desenvolve, a partir da ficção - que, sem dúvida, logo não será mais uma ficção - da clonagem dos seres humanos, o que poderíamos chamar de uma utopia do pós-humano que abre para o gênero novas perspectivas.
Vita Fortunati - A escrita utópica de mulheres como Ursula le Guin, Joanna Russ, Marge Piercy, nas últimas décadas do século XX, deu voz a novos modelos utópicos esperáveis e desejáveis porque neles os verdadeiros valores da cultura feminina são exaltados: o pacifismo, a ecologia e a descentralização do poder. A utopia permite a visualização de situações insólitas e a experimentação de novos modelos de comportamento. A utopia apresenta soluções alternativas, porém nunca vistas como definitivas, mas sempre dinâmicas e fluidas, como horizontes em direção ao quais se tende.
Peter Kuon - A arte, enquanto recusa da reprodução mimética do mundo, é - e sempre tem sido - utópica.
Cosimo Quarta - É difícil indicar obras isoladas que se enquadrem no pensamento utópico, pois, como dizia antes, em todos os âmbitos do cognoscível humano está presente o pensamento utópico. Para permanecer no campo da utopia literária, basta pensar na vasta produção dos romances de ficção científica, ainda que neles prevaleça com frequência a distopia; é todavia oportuno lembrar que quando a distopia é usada como sinal de alarme para evitar avançar em direção a caminhos equivocados e arriscados, ela assume uma função altamente positiva para a humanidade.
Jean-Michel Racault é professor emérito na Universidade da Réunion (França) de literatura francesa e comparada. Suas pesquisas estão voltadas para as literaturas das viagens e relatos utópicos (séculos XVII e XVIII), a temática literária da insularidade e as obras de Bernardin de Saint-Pierre. Publicou 18 obras como autor ou editor científico e uma centena de artigos.
Peter Kuon é professor de filologia românica (literatura italiana e francesa) e diretor do centro universitário Sciences et Arts na Universidade de Salzbourg. Suas publicações tratam da utopia do Renascimento ao Iluminismo, da recepção criadora dos grandes clássicos, da literatura do holocausto e da literatura contemporânea em geral.
* Colaboraram: prof. Carlos Eduardo Berriel e Ana Cláudia R. Ribeiro (tradução)

segunda-feira, 8 de junho de 2009


Cuba na OEA. pra que?
Escrito por Atílio Boron
05-Jun-2009

Depois de 47 anos, a 39ª Assembléia Geral da OEA selou um acordo para revogar por unanimidade a exclusão de Cuba, aprovada em 1962. A resolução não impõe condições a Cuba, apesar de estabelecer mecanismos que deveriam ser postos em marcha no (improvável) caso de que Havana expresse seu desejo de retornar à OEA (como, ao final, não aceitou). A notícia dá espaço para diversas considerações.

Primeiro: a resolução é um sintoma das grandes mudanças que ocorreram no panorama sócio-político da América Latina e Caribe nos últimos anos e cujo signo distintivo é a persistente erosão da hegemonia norte-americana na região. A revogação daquela ignominiosa resolução imposta pela administração Kennedy revela a magnitude das transformações em curso e que a Casa Branca aceita rangendo os dentes.

Dessa forma se repara – se bem que tardia e parcialmente – uma decisão de manifesta imoralidade e que pesou como um intolerável fardo sobre a OEA e sobre os governos que, com seus votos, ou abstenções, facilitaram os planos do imperialismo norte-americano. Este, ao não mais poder derrotar militarmente a Revolução Cubana em Playa Girón, optou por erguer um ‘cordão sanitário’ para evitar que os fluidos emancipadores contagiassem os demais países da região. Intento que, por certo, fracassou espetacularmente.

Segundo: a debilitação de sua hegemonia não significa que os EUA renunciem a se apoderar, por outros meios, dos recursos e riquezas de nossos países ou a tratar de controlar nossos governos apelando a outros expedientes. Seria um erro imperdoável pensar que, devido a esta queda de sua capacidade de direcionamento político – e intelectual e moral ao mesmo tempo –, o imperialismo deporá suas armas e começará a se relacionar com os nossos países em pé de igualdade. Exatamente o contrário: ante o declínio de sua hegemonia, sua resposta foi nada menos que a reativação da 4ª. Frota, com o propósito de conseguir pela força o que no passado obtinha pela submissão ou cumplicidade dos governos da região. E Obama não emitiu o menor sinal de que pensa em mudar tal política.

Terceiro: Cuba, assim como os demais países de Nossa América, nada tem a fazer na OEA. Tal como assinalamos em inumeráveis oportunidades, essa instituição refletiu um momento especial na evolução do sistema interamericano: o da absoluta primazia dos Estados Unidos. Essa etapa foi superada e não tem volta atrás. A maturação da consciência política dos povos da região fez que mesmo os governos muito afinados com a Casa Branca não tivessem outra opção, a não ser enfrentar os Estados Unidos na condenação do bloqueio a Cuba e, em San Pedro Sula, revogar a decisão de 1962.

Diante de tal situação, a OEA está condenada por sua larga história de dócil instrumento do imperialismo: legitimou invasões, assassinatos políticos, magnicídios (alguns, como o de Orlando Letelier, perpetrados em Washington), golpes de Estado e campanhas de desestabilização de governos democráticos. Foi cega, surda e muda ante as atrocidades do "terrorismo de Estado" patrocinado pelos Estados Unidos e ante políticas criminosas como o Plano Condor. Quando, em maio de 2008, estourou a crise na Bolívia, o conflito foi rapidamente solucionado pelos países da América Latina sem que a OEA desempenhasse papel algum. Não fez falta. Não faz mais falta.

Quarto: o que realmente faz falta é fortalecer e tornar coerentes sem mais adiamentos os diversos projetos de integração dos países da América Latina e do Caribe, como a ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas) ou a Unasul, iniciativas distintas, mas que expressam a realidade contemporânea da região. A OEA, em compensação, é uma instituição irremediavelmente anacrônica e por isso mesmo inútil; representa um mundo que não existe mais, exceto nos delírios dos saudosos da Guerra Fria, e por isso não pode oferecer nenhuma contribuição para o enfrentamento dos desafios do nosso tempo. Depois de ter revogado a resolução de 1962, o órgão prestaria um grande um grande serviço à humanidade se decidisse se dissolver.

Atílio Boron é doutor em Ciência Política pela Universidade de Harvard e professor titular de Teoria Política na UBA (Universidade de Buenos Aires). É autor do livro "Império e Imperialismo. Uma leitura crítica de Michael Hardt e Antonio Negri", publicado pela editora CLACSO em 2002.

Website: http://www.atilioboron.com/

Trazido por Gabriel Brito, jornalista.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A crise é estrutural, diz Mezsaros -

A Crise Estrutural do Capital
O colapso do sistema financeiro não é a causa, mas sim a manifestação de um impasse na economia mundial. É desta forma, em oposição às linhas de interpretação hegemônicas, que István Mészáros analisa o atual período histórico em sua nova obra, A crise estrutural do capital. No livro, o filósofo desmonta uma série de ilusões associadas aos acontecimentos recentes e afirma que a raízes da crise, na verdade, encontram-se no atual estágio de desenvolvimento do capitalismo.
Crise dos subprime, crise especulativa, crise bancária, crise financeira – os nomes são muitos para a imensa expansão da aventura especulativa, que abalou o capital financeiro e, naturalmente os ramos produtivos das economias. Em resposta, governos e instituições globais jogam trilhões de dólares no


sistema, ao passo que os indicadores econômicos seguem sinalizando o aprofundamento da deterioração na chamada ‘economia real’.
Mészáros argumenta que é inócua a ação de governos e instituições globais que inundam a economia com trilhões e clamam pelo retorno da “confiança”. A partir de uma visão histórica e sistêmica sobre a crise do capital, o autor mostra que esta crise nada tem de nova. Pelo contrário, é endêmica, cumulativa, crônica e permanente; e suas manifestações são o desemprego estrutural, a destruição ambiental e as guerras permanentes.
Com orelha de Samir Amin e apresentação de Ricardo Antunes, A crise estrutural do capital retoma, assim, as contundentes críticas propostas por Mészáros, ao passo que muitas de suas perspectivas são confirmadas na trajetória descendente da economia global e pelos excessos no sistema financeiro internacional. O autor reafirma, assim, que vivemos uma crise estrutural cada vez mais profunda, cuja superação está além da quantia de zeros destinadas para tapar o buraco do endividamento global.
Com isso, Mészáros evidencia as falhas em tentativas de cunho socialdemocrata, keynesiano ou desenvolvimentista. Para o autor, a crise em desenvolvimento coloca no horizonte a relevância do marxismo e do desafio coletivo para a construção de uma maneira distinta de produzir e viver.
Trechos da obraA grande crise econômica mundial de 1929–1933 se parece com "uma festa no salão de chá do vigário" em comparação com a crise na qual estamos realmente entrando. A crise estrutural do sistema do capital como um todo – a qual estamos experimentando nos dias de hoje em uma escala de época – está destinada a piorar consideravelmente. Vai se tornar à certa altura muito mais profunda, no sentido de invadir não apenas o mundo das finanças globais mais ou menos parasitárias, mas também todos os domínios da nossa vida social, econômica e cultural.
Pela primeira vez na história, o capitalismo confronta-se globalmente com seus próprios problemas, que não podem ser “adiados” por muito mais tempo nem, tampouco, transferidos para o plano militar a fim de serem “exportados” como guerra generalizada.
Com efeito, não há como antes nenhum indício sério do ansiosamente antecipado “declínio dos Estados Unidos como potência hegemônica”, apesar do aparecimento de numerosos sintomas de crise no sistema global. As contradições que pudemos identificar dizem respeito ao conjunto interdependente do sistema do capital global no qual o capital norte-americano ocupa, mantém e, na verdade, continua a fortalecer sua posição dominante de todos os modos, paradoxalmente até mesmo por meio de suas práticas de imperialismo de cartão de crédito – à primeira vista bastante vulneráveis, embora, até o presente momento, implantadas com sucesso e sem muita oposição.
Sobre o autorNascido em 1930, na Hungria, com doze anos e meio Mészáros já trabalhava como operário em uma fábrica de aviões de carga, tendo que mentir a idade em quatro anos para isso. Graduou-se em Filosofia na Universidade de Budapeste, onde foi assistente de Georg Lukács no Instituto de Estética. Deixou o Leste Europeu após o levante de outubro de 1956 e exilou-se na Itália, onde trabalhou na Universidade de Turim; posteriormente ministrou aulas nas universidades de Londres (Inglaterra), St. Andrews (Escócia) e Sussex (Inglaterra), além de na Universidade Autônoma do México e na Universidade de York (Canadá). Ao retornar à Universidade de Sussex, em 1991, recebeu o título de Professor Emérito de Filosofia. É reconhecido como um dos principais intelectuais marxistas contemporâneos. Autor de obras como Para além do capital (Boitempo, 2002), A educação para além do capital (Boitempo, 2005) e O desafio e o fardo do tempo histórico (Boitempo, 2007), entre outros.
Ficha técnica
Título: A crise estrutural do capital
Título Original: Capital's unfolding systemic crisis
Autor: István Mészáros
Prefácio: Ricardo Antunes
Tradutor: Francisco Raul Cornejo
Páginas: 136
Ano de publicação: 2009
ISBN: 978-85-7559-135-2
Editora: BOITEMPO





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