VOCE SABE O QUE É A ECONOMIA SOLIDÁRIA?

domingo, 11 de janeiro de 2009

A terra prometida ou picaretagem ideológica?




E o tolo do Caetano ajudando na picaretagem ideológica...
Domingo assisti a uma picaretagem ideológica explícita no programa global "Fantástico". Foi protagonizada pelo professor Eduardo Giannetti da Fonseca, um neoliberal de carteirinha, e por Caetano Veloso, um notório desbundado, que emoldurou a vigarice com uma de suas (belas) canções. Eu estava escrevendo um pequeno comentário sobre o assunto, mas hoje vejo que o professor Marcos Nobre o fez com maestria e objetividade na Folha. Uma beleza de artigo-denúncia contra a desonestidade intelectual que campeia como nunca em terras brasucas, agora num veículo de massa como a televisão. O que eu fiz? Deletei o meu comentário e estou publicando abaixo o excelente artigo de Marcos Nobre (professor de filosofia política da Unicamp e pesquisador do Cebrap). Nobre escreveu a obra "Lukács e os limites da reificação".Eis o artigo:
Giannetti na Terra Prometida
Milhões de pessoas assistiram no último domingo a uma encenação ideológica como havia muito não se via. O "filósofo e economista" Eduardo Giannetti da Fonseca estreou no "Fantástico" o seu programa "O valor do amanhã". Giannetti da Fonseca montou uma equação em que Deus, o capitalismo e a natureza estão em perfeito acordo e harmonia. Para provar a sua equação, começou o programa com uma representação (pelo ator Matheus Nachtergaele) do "Gênesis" em que o pecado original produziu "a maior conta de juros de que se tem registro na criação".Desde Adão e Eva, a vida humana não seria mais do que uma relação de custo e benefício.Mesclando depoimentos e comentários, pretendeu mostrar que o tempo é o resultado de uma escolha entre uma "posição credora" e outra "devedora": poupar agora e usufruir depois, ou o contrário.Mas Giannetti da Fonseca não se contentou em se apoiar na autoridade da Bíblia. Apelou para cenas da vida animal e para depoimentos científicos para dizer que toda a natureza segue a mesma lógica. Todos os seres vivos fazem "trocas no tempo", poupam ou consomem segundo posições "credoras" ou "devedoras".Tudo muito bem produzido e editado. Com todo tipo de chavão capaz de se encaixar na lição de moral. É com fala mansa e jeito de bom moço que só quer ajudar que disse que tudo não passa de um balanço entre "sonhos e desejos" e "possibilidades e limites". Com direito a Caetano Veloso ao violão repetindo o refrão "tempo, tempo, tempo, tempo".É como se estivéssemos de volta ao século 18. Os conflitos são apenas resultado das escolhas individuais e da cultura que resulta dessas escolhas. Não há conflitos sociais, exploração, movimento operário, revoluções, guerras. Tudo o que se passou nos últimos dois séculos desaparece para dar lugar ao capitalismo como ordem natural (e divina) das coisas. Só o que resta é uma adaptação "credora" ou "devedora" a essa ordem.Mas essa impressão também é enganosa. Porque Giannetti toma do século 19 o determinismo biológico e toma do capitalismo atual o vocabulário do mais desenvolvido mercado financeiro. E tudo isso com a técnica mais sofisticada do século 21.Para quem acha que biologia e economia são apenas dois ramos de uma mesma árvore original, não é difícil concluir que o Brasil ainda esteja mesmo no século 18 e que seja preciso inocular na cultura brasileira o bacilo do capitalismo. A Terra Prometida de Giannetti da Fonseca é a da miséria e da doença da revolução industrial do século 19. Uma terra que o Brasil do século 21 conhece muito bem.

Textos interessantes

Textos
OS BIG MC'S DA EDUCAÇÃO: consenso mudo da Fast-Imbecilização
Ricardo Bresler - Prof. da EAESP- Fundação Getúlio Vargas São Paulo -e-mail: Rbresler@Fgvsp.br & Rafael Alcadipani- Bolsista de Iniciação Científica (Fapesp) e graduando em Administração pela ESPM e-mail: Ralcadipani@hotmail.com
A VAMPIRAZAÇÃO MERCANTIL
Ibrahim Warde -Surge, nos Estados Unidos, a universidade mercantil (market-model university): os departamentos que “ganham dinheiro”, “estudam dinheiro” ou “atraem dinheiro” são os grandes beneficiários; os outros são negligenciados, e até abandonados
POPULISMO HISTÉRICO
Robert Kurz - O mais dileto de todos os passatempos sociais é a busca de culpados.
CIÊNCIA POLÍTICA E REVOLUÇÃO
Bento Prado Jr. -"Je ne puis croire qu'on n'aperçoive nettement en moi un libéral d'une nouvelle espèce." (1)Alexis de Tocqueville

biblioteca multimédia online da Europa


*Inaugurada biblioteca multimédia online da Europa com mais de dois
milhões de obras*

A biblioteca multimédia online da Europa, "Europeana", está acessível
desde hoje ao público, que através da Internet poderá aceder a mais de
dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia.

Esta biblioteca virtual conta com livros, mapas, gravações, fotografias,
documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas
nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE, tendo
por exemplo de Portugal a Carta plana de parte da Costa do Brasil, um
mapa de 1784.

Acessível, em todas as línguas da UE, através do endereço
(http://www.europeana.eu/ <http://www.europeana.eu/>), a biblioteca multimédia
europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações
culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris,
que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções.

Segundo a Comissão Europeia, que lançou esta iniciativa em 2005, este é
"apenas o começo", pois a ideia é expandir a biblioteca, envolvendo
também o sector privado, e o objectivo é que em 2010 a Europeana dê
acesso a pelo menos dez milhões de obras "representativas da riqueza da
diversidade cultural da Europa e terá zonas interactivas, nomeadamente
para comunidades com interesses especiais".
"Com a Europeana, conciliamos a vantagem competitiva da Europa em
matéria de tecnologias da comunicação e de redes com a riqueza do nosso
património cultural. Os europeus poderão agora aceder com rapidez e
facilidade, num único espaço, aos formidáveis recursos das nossas
grandes colecções", comentou o presidente da Comissão Europeia, Durão
Barroso.
Por seu turno, a comissária europeia para a Sociedade da Informação e os
Meios de Comunicação, Viviane Reding, apelou "às instituições culturais,
editoras e empresas de tecnologia europeias para que alimentem a
Europeana com mais conteúdos em formato digital".

Segundo dados da Comissão, desde a "abertura" da biblioteca, hoje de
manhã, houve dez milhões de visitas por hora, tendo esta "tempestade de
interesse" forçado mesmo a "deitar o sistema abaixo" por algum tempo
para duplicar a capacidade do "site".n
*Lusa*

Para obter maiores informações sobre o HISTEDBR, acesse o seguinte endereço:
http://www.histedbr.fae.unicamp.br

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

MST: 25 ANOS DE TEIMOSIA


MST: 25 ANOS DE TEIMOSIA

Em janeiro de 1984, havia uma processo de reascenso do movimento de massas no Brasil. A classe trabalhadora se reorganizando, acumulando forças orgânicas. Os partidos clandestinos agora já estavam na rua, como o PCB, PcdoB, etc. Tínhamos conquistado uma anistia parcial, mas a maioria dos exilados tinham voltado.
Já havia se formado o PT e a CUT e a CONCLAT. Amplos setores das igrejas cristãs ampliavam seu trabalho de formiguinha, de ir formando consciência e núcleos de base em defesa dos pobres, inspirados pela teologia da libertação. Havia um entusiasmo em todo lugar, porque a ditadura estava sendo derrotada, e a classe trabalhadora brasileira está na ofensiva. Lutando e se organizando.
Os camponeses no meio rural viviam o mesmo clima e a mesma ofensiva. Entre 1979 e 1984 se realizaram dezenas de ocupações de terra em todo o país. Os posseiros, os sem terra, os assalariados rurais, perderam o medo. E foram à luta. Não queriam mais migrar para a cidade como bois marcham para o matadouro (na expressão de nosso saudoso poeta uruguaio Zitarroza).
Fruto de tudo isso nos reunimos em Cascavel, em janeiro de 1984, estimulados pelo trabalho pastoral da CPT, lideranças de lutas pela terra de dezesseis estados brasileiros. E lá, depois de 5 dias de debates, discussões, reflexões coletivas, fundamos o MST. Movimento dos trabalhadores rurais sem terra.
Nossos objetivos eram claros. Organizar um movimento de massas a nível nacional, que pudesse conscientizar os camponeses para lutarem por terra, por reforma agrária (significando mudanças mais amplas na agricultura) e por uma sociedade mais justa e igualitária. Queríamos enfim combater a pobreza e a desigualdade social. E a causa principal dessa situação no campo, era a concentração da propriedade da terra, apelidada de latifúndio.
Não tínhamos a menor idéia se isso era possível. E nem quanto tempo levaríamos na busca de nossos objetivos.
Passaram-se 25 anos. Muito tempo. Foram anos de muitas mobilizações, muitas lutas, e de uma teimosia constante, de sempre lutarmos e nos mobilizarmos contra o latifúndio.
Pagamos caro por essa teimosia. Durante o governo Collor, fomos duramente reprimidos, com a instalação inclusive de um departamento especializado em sem terra na Policia Federal. Depois com a vitória do neoliberalismo do governo FHC, foi o sinal verde para os latifundiários e suas policias estaduais atacarem o movimento. E tivemos em pouco tempo dois massacres: Corumbiara e Carajás. Ao longo desses anos, centenas de trabalhadores rurais pagaram com sua própria vida, o sonho da terra livre.
Mas seguimos a luta.
Brecamos o neoliberalismo elegendo o governo Lula. Tínhamos esperança de que a vitória eleitoral pudesse desencadear um novo reascenso do movimento de massas, e com isso a reforma agrária tivesse mais força de ser implementada. Não houve reforma agrária durante o governo Lula. Ao contrário, as forças do capital internacional e financeiro, através de suas empresas transnacionais ampliaram seu controle sobre a agricultura brasileira. Hoje a maior parte de nossas riquezas, produção e distribuição de mercadorias agrícolas está sob controle das empresas transnacionais. Elas se aliaram com os fazendeiros capitalistas e produziram o modelo de exploração do agro-negócio. Muitos de seus porta-vozes se apressaram a prenunciar nas colunas de jornalões burgueses que o MST se acabaria. Lêdo engano.
A Hegemonia do capital financeiro e das transnacionais sobre a agricultura, não conseguiu, felizmente acabar com o MST. Por um único motivo. O agro-negócio não representa solução para os problemas dos milhões de pobres que vivem no meio rural. E o MST é a expressão da vontade de libertação desses pobres.
A luta pela reforma agrária que antes se baseava apenas na ocupação de terras do latifúndio, agora ficou mais complexa. Temos que lutar contra o capital. Contra a dominação das empresas transnacionais. E a reforma agrária, deixou de ser aquela medida clássica: desapropriar grandes latifúndios e distribuir em lotes para os pobres camponeses. Agora, as mudanças no campo, para combater a pobreza, a desigualdade e a concentração de riquezas, depende de mudança não só da propriedade da terra, mas também do modelo de produção. E se agora, os inimigos são também as empresas internacionalizadas, que dominam os mercados mundiais. Significa também que os camponeses dependerão cada vez mais das alianças com os trabalhadores da cidade para poder avançar nas suas conquistas.
Felizmente, o MST adquiriu experiência nesses 25 anos. Sabedoria necessária para desenvolver novos métodos, novas formas de luta de massa, que possam resolver os problemas do povo.

Joao Pedro Stedile, membro da coord. nacional do MST e da via campesina Brasil

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

GAZA


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Gaza


Por José Saramago



A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registradas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho.
Desde o dia 9 de dezembro os caminhões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a covardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende. Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente atualizado.

Artigo original publicado em 22/12/2008

Fonte: O Caderno de Saramago

URL deste artigo em Tlaxcala:
www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=6674&lg=po


As ilustrações abaixo podem ser livremente reproduzidas. O genocídio contra os palestinos precisa acabar!!!



Clique sobre as imagens para ampliá-las
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Ataque a Gaza, mais uma vez
por Ben Heine


Algo errado
por Ben Heine


Todos somos palestinos
por Ben Heine


Ilustração de Carlos Latuff


Ilustração de Carlos Latuff


sábado, 3 de janeiro de 2009

XXVII CONGRESSO DE ALAS




Mensagem de Alberto Bialakowski -
Muy estimados colegas y congresistas de ALAS, vayan nuestros deseos de muchas felicidades,paz y equidad para nuestros pueblos, y nuestros mejores augurios para este nuevo año! Entre navegaciones y vuelos la cita esta fijada, para todos nosotros latinoamericanos, caribeños y del mundo el brindis de estos días tiene un significado muy especial que anticipa ese otro brindis que compartiremos fraternal y personalmente en el encuentro grande con ALAS el 31 de agosto de 2009 a 04 de setembro en Buenos Aires. Desde ya bienvenidos! Comité Organizador XXVII ALAS

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

"O Mundo Segundo a Monsanto"


Autora de livro sobre Monsanto diz que sua obra 'dá muito medo'

Jornalista francesa acusa a empresa de práticas mafiosas.Autora afirma que adubos e pesticidas são "tóxicos".
A jornalista francesa Marie-Monique Robin, que acaba de publicar na Espanha um ensaio sobre a multinacional de sementes transgênicas Monsanto, à qual acusa de práticas "mafiosas", diz que não sabe se seu livro "é de terror, mas dá muito medo, pois, infelizmente, tudo o que está lá é verdade". "Le Monde Selon Monsanto" -- "O Mundo Segundo a Monsanto", em português -- é o irônico título escolhido para um livro no qual ela denuncia, com documentos inéditos e testemunhos de muitas "vítimas", a "impunidade diabólica" da multinacional americana que comercializa "produtos tóxicos", afirma a autora em entrevista à Agência Efe. As acusações de Robin à Monsanto são vender sementes geneticamente modificadas que não demonstraram sua "inocuidade tóxica" e que devem ser tratadas com adubos e pesticidas da mesma empresa, "igualmente tóxicos", em um ciclo monopolístico. Segundo a especialista, o ciclo não acaba somente com a biodiversidade do local onde é implantado, mas também não garante melhores colheitas e empobrece os terrenos. A jornalista se reuniu durante três anos com políticos, camponeses e cientistas, alguns dos quais "sofreram na própria pele o 'efeito Monsanto'". Muitos deles sofreram represálias e foram despedidos devido às investigações sobre o risco dos produtos geneticamente modificados e outros adquiriram algum tipo de câncer pelo contato com eles. A companhia, lembra Robin, comercializa 90% dos cultivos transgênicos do mundo, com 8,6 bilhões de euros -- aproximadamente 26 bilhões de reais -- de faturamento em 2007. É a maior vendedora de sementes na América Latina, Ásia, Estados Unidos e Canadá, e entre seus "feitos" químicos está a fabricação do "agente laranja", um devastador pesticida utilizado pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Robin afirma que a multinacional tem dezenas de processos penais contra ela no mundo todo, devido a problemas de saúde gerados por seus produtos, mas também por causa de práticas de monopólio. Segundo a jornalista, a multinacional se comporta como uma estrutura saída da mente de George Orwell -- autor do livro "1984", que retrata um regime autoritário de uma sociedade de vigilância --, já que tem uma "meta totalitária e monopolística" e utiliza métodos muito semelhantes aos da máfia. O livro faz um percurso pelas relações entre os políticos encarregados de redigir a regulamentação sobre transgênicos e as empresas do setor, com casos de membros da administração pública nos EUA que, após promover leis permissivas a esses produtos, para reduzir os testes toxicológicos, passaram para o outro lado, um inclusive como "vice-presidente" da multinacional.
Fonte: ########################### POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS ###########################